
“Diga-me com quem andas e te direis quem és”.
Eu diria: diga-me com quem andas e eu te direi quem você será.
Não estou falando da pesquisa que diz que somos a média das pessoas com quem convivemos, nem de como somos influenciados pelos amigos dos amigos dos nossos amigos. [1] O que se mede ali são coisas pontuais: salário, peso, felicidade. E eu estou falando de ser.
Explico.
Cada pessoa cria ao seu redor uma matriz[2]. E por matriz eu me refiro a totalidade do que essa pessoa é: suas crenças, suas experiências, o que ela viveu e o que ela decidiu sobre aquilo que viveu. O conjunto, agindo junto. Essa totalidade forma uma lente através da qual ela vê e percebe tudo o que lhe acontece, e organiza o espaço que se forma ao seu redor.
Assim, quando nos relacionamos com alguém, nossas matrizes passam a interagir, e passamos a existir não só dentro da nossa, mas também dentro da matriz que o outro cria. E isso favorece determinados aspectos de quem somos.
Ou não. [3]
Cada relacionamento se torna, então, um palco; e a versão que você consegue expressar depende de quem está nele com você. Há partes de você que nunca se manifestarão enquanto você não encontrar pessoas que criem o espaço necessário para que elas se manifestem.
Às vezes procuramos um relacionamento, um trabalho, uma cidade; quando na verdade, o que estamos procurando é o espaço para ser.
Tudo é uma busca por si.
Há pessoas que permitem a expressão da totalidade que você é, que te permitem existir de maneiras que você nunca imaginou. Esse é, definitivamente, o maior presente que se pode dar a alguém: o verdadeiro eu.
Há tanta beleza na combinação de personalidades e caracteres únicos que nos tornam individuais. Naquilo que está dormente dentro de nós e precisa de uma chavinha para despertar.
Por isso, eu digo: diga-me com quem andas e eu te direi quem és – e também quem você ainda não é, mas vai ser.
[1] Ideia propagada por Jim Rohn; Livro “Connected” de Nicholas Christakis e James Fowler.
[2] Não tenho palavra melhor para isso. Pense naquela malha usada para ilustrar o espaço-tempo, a que se curva ao redor de tudo o que tem massa. O que passa por ali segue o formato da curva. Não é empurrado. O espaço que atravessa é que está encurvado. É isso que eu quero dizer por matriz, e não é figura de linguagem. É o que eu percebo acontecendo.
[3] Adoro o conceito do Napoleon Hill de “mastermind”.

