Escapismo, vulnerabilidade… Afinal, quem somos nós?

Algo mágico acontece quando perdemos o medo de lidar com nossos limites. Como saber até onde somos capazes de ir, se não nos dispusermos a ir até lá? Não saberemos.

E eu penso sobre todas essas coisas que fazemos para evitar lidar com nossos sentimentos, nossas emoções. O fim de um relacionamento, a perda de um emprego, uma situação embaraçosa qualquer… compras, sexo, bebidas, drogas, novela, futebol.

Que medo é esse de ser vulnerável? De se deixar ver? De conhecer as nossas próprias imperfeições? Afinal, não é lidando com elas, reconhecendo erros e limitações que CRESCEMOS? E quem nunca desejou viver na terra do nunca?

Esta palestra aborda uma pesquisa feita por Brené Brown, uma pesquisadora americana que se dedica ao estudo da conexão interpessoal, na qual ela chegou à surpreendente conclusões envolvendo a vulnerabilidade.

NÃO APRISIONE(SE) – Não julgueis!

Na vida, fomos ensinados por aqueles que já percorreram um determinado caminho a fazer aquilo que eles fizeram. Ou aquilo que eles não fizeram. Logo, por ser muito raro alguém sair de si, pondo suas próprias experiências e conceitos de lado para enxergar a realidade do próximo é que se diz: se conselho fosse bom, não se dava: se comprava.

Enquanto a tecnologia dá passos largos, o homem caminha timidamente no tocando a relacionamentos e respeito ao próximo. Há, por isso, uma enorme urgência em aprendermos – de uma vez por todas – que cada individuo é único e que não há duas vidas iguais. Isso se traduz em respeitar a escolha dos outros e, principalmente, não tentar impor aquilo que acreditamos ser certo, apoiados na certeza de que só existe uma maneira de fazer as coisas: a nossa!

Daí decorre a importância de não julgarmos o próximo, pois ao fazer isso, estamos nos impondo. E pior: tentando espremê-lo na nossa caixinha de idéias e noções sobre o mundo e a vida.

Com isso, perdem todos, claro. Mas perde, principalmente, aquele que quer espremer, pois, ao não exercer sua capacidade de enxergar além daquilo que se conhece, a nossa capacidade de compreensão se atrofia, pois como disse Albert Einstien: “A mente que se abre a uma nova idéia jamais retorna ao seu tamanho original”. E aquela que não se arrisca?

Não podemos esquecer, certamente, que o espremido também sofre graves consequências emocionais. Principalmente quando é obrigado a se encaixar nas noções dos pais, dos professores, de alguém que ama. Além das naturais inseguranças, acontece o pior: é um ser que deixa de ter liberdade para se explorar, pois tem negada a oportunidade de se autoconhecer, de exercitar sua vontade, de, enfim… ser livre!

Por isso, esta semana, sugiro que exercitemos a compreensão, o respeito ao próximo e evitemos o julgamento – a não imposição das nossas crenças ao próximo.

Lembrem-se: todos somos livres para fazer nossas próprias escolhasPor isso, quando algo te incomodar, ao invés de criticar e julgar o outro, reflita simplesmente sobre a razão de tal incômodo. Talvez, ao olhar para si, você descubra que não tem nada a ver com o outro e aprenda mais sobre você.

Como disse Carl Jung: “Quem olha pra fora, sonha. Quem olha pra dentro desperta.” E ninguém quer continuar dormindo enquanto a vida passa…