Seja a mudança: sobre professores e aprendizes.

O mundo é um projeto em construção. VOCÊ é um projeto em construção. Somos inacabados, imperfeitos. Estamos em uma jornada de desenvolvimento e não nascemos sabendo tudo. Pelo contrário, a não ser pouquíssimas coisas – como respirar – somos ensinados a fazer praticamente tudo!

Além disso, é certo que as nossas limitações transparecem em nossas criações, pois estas estão adstritas à inteligência do seu criador. Logo, é natural que a sociedade que formamos – e tudo o que a integra – também seja cheia de falhas que precisam ser melhoradas. Não é nada de outro mundo! Pelo contrário, é uma consequência óbvia. 

Então, por que haveríamos de ficar perplexos diante de serviços mal-prestados? De procedimentos organizados de maneira pouco eficiente? Eles são reflexos de quem os estabeleceu. E se você pode fazer melhor: FAÇA! Assuma a responsabilidade por contribuir para um local de trabalho melhor, um lar melhor, uma empresa melhor, para um você melhor… enfim… para um mundo melhor!  

Contudo, jamais devemos assumir uma postura de crítico, apontando dedos. Mas sim como um professor. Afinal, não somos todos aprendizes? O mundo não é um resultado de todas as nossas escolhas, capacidades e limitações? Não estamos todos no mesmo barco, sendo influenciados pelas ações de todos e de cada um? Então, contribuir para o crescimento do próximo é também contribuir para o próprio crescimento. E a melhora na vida do outro, será a da nossa também. 

A conduta daquele que busca oferecer soluções para contribuir é distinta daquele que apenas aponta defeitos pelo prazer de criticar, pois aquele é alguém que entendeu que ninguém sabe de tudo e que, certamente, ao longo do caminho, também precisará do outro para compartilhar um pedaço do conhecimento que não soube obter por si mesmo.

Como disse Gandhi: “Você tem que ser o espelho da mudança que está propondo. Se eu quero mudar o mundo, tenho que começar por mim”. Seja a tolerância, tenha compaixão pelas limitações dos outros, assim como você espera com as suas, pois é dando que se recebe. Somente através do AMOR transformaremos o mundo no lugar onde todos desejamos viver. 

Seja a mudança! 

Da necessidade de tolerância e respeito à individualidade alheia (seja você).

O sistema capitalista impôs a produção em massa, a padronização, o indivíduo como consumidor, sujeito aos discursos das empresas interessadas em vender seus produtos. Adicione-se a isso nossos pais dizendo que Y é melhor que X; os colegas do trabalho que exigem certa conduta; os amigos que espera nos comportemos sempre de uma determinada maneira. Enfim… tudo ao nosso redor pretende que nos uniformemos, que sejamos todos iguais.

Contudo, cada um de nós é resultado de nossas vivências. As ligações neurais se formam conforme as experiências vividas, moldando nosso cérebro conforme a neuroplasticidade. Portanto, se cada absorve o mundo à sua própria maneira, não há duas pessoas idênticas no mundo. Logo, não é uma crença, é um fato científico: somos únicos! 

E se ser diferente é normalcomo esperar que todos sejamos iguais? Se não há como usar parâmetros de um para interpretrar outros, por que esperar que todos se comportem da mesma maneira? Impor um padrão de comportamento e de conduta é cruel. É tolhir a liberdade de cada um  de ser quem é, pensar como quiser, vestir-se como achar melhor… de se descobrir e responder a pergunta que todos, eventualmente, fazem a si mesmo: “quem sou eu?”.

É preciso cultivar o respeito e a tolerância à individualidade alheia. Sem julgar e sem esperar que o outro aja como nós pensamos certo. Impor nossa opinião é tentar escravizar o próximo, limitando-o a nossa experiência. E se eu quero a liberdade de construir a vida que eu acredito ser melhor… por que não dar isso ao meu semelhante?

Que todos nós, principalmente aqueles cansados de viver entre os limites impostos por sabe-Deus-quem, possamos proporcionar liberdade ao próximo, sem tentar enquadrá-lo aos nossos “padrões de normalidade” pois como disse São Francisco: “é dando que se recebe”.