Quem escreve o seu Livro?

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Cachoeira do Barata – Tepequém – Boa Vista/RR

De quando em quando, seguindo o fluxo de vida caótico que nos é oferecido pela “vida moderna”, entramos no piloto automático. Como nada acontece do dia para noite, o desânimo vai dando pequenos sinais: você já não se veste com o mesmo cuidado, já não arruma o cabelo com o mesmo capricho, já não produz no seu trabalho como antes… e vai achando que tudo certo, que faz parte, que é só hoje. E quando você percebe, já se passaram semanas, meses… às vezes, anos.

Hoje em dia, temos muitos nomes para esses rompantes: depressão, síndrome do pânico, Deficit de Atenção. E para todos esses: uma pílula. Mas qual é a raiz disso tudo? Será que não é nosso constante relegar para a figura autoritária o poder de determinar as regras de nossas vidas? Vamos seguindo uma cartilha iniciada pelos pais, continuadas pelos professores e completadas pelos chefes. E depois, quando você se depara com uma vida que não é exatamente a que você escolheu, você – naturalmente – entre em uma crise, bombardeando-se de perguntas e alguém lhe vem com a solução: uma pílula – mais um escrevendo na sua cartilha.

Eu sempre fui extremamente curiosa e costumava bombardear meus pais com “por quês”. Nunca aceitava ordens sem questionar a razão de estar fazendo aquilo… claro, levei muitas bronquinhas, ouvi muitos “3, 2…”. Mas mesmo assim, segui a cartilha: escolhi um curso prestigiado pela sociedade, cultivei um relacionamento sério (se não procriarmos, o que será de nós, ó Céus?), fiz estágios e cursos para “melhorar o currículo”, estudei para “passar de primeira na OAB”, engatei dois cursos de especialização após a faculdade…. estava tudo conforme a cartilha do sucesso: se forme em uma boa faculdade, continue estudando, arrume um bom emprego, case-se, compre uma casa, tenha filhos e viva feliz para sempre. Até que eu não estava feliz! Nada daquilo era o que eu realmente queria… eu não estava vivendo a minha vida, mas a vida que ditaram pra mim.

Inevitavelmente, as crises existenciais advieram – e o que alguns poderiam denominar depressão. Mas eu não tomei remédios. Primeiro pensei que estava me faltando diversão e me engajei naquilo que é dito divertido: me dei férias por 6 meses para curtir festas, pequenas viagens, churrascos, futebol, bebidas. Fiz algo que nunca havia feito em 22 anos: fui “farrear”.  Saía com um grupo de amigos de quinta a domingo. Aquilo não durou 3 meses, quando um dia, antes de me arrumar, simplesmente pude admitir que aquilo não estava funcionando. Prefiria voltar para meu recolhimento habitual e voltar a conviver com as perguntas incessantes na minha cabeça.

Durante este período, ouvi coisas do tipo: “você pensa demais”, “você pergunta demais”, “você espera demais da vida”. Tudo era demais. Como se tudo aquilo que eu estivesse vivendo fosse inadequado. Incomum? Pode ser. Mas errado? Jamais! Foi um pesadelo…. até o dia em que resolvi procurar respostas para todas as minhas perguntas e, como quem procura, acha… encontrei! Hoje, aos 26 anos, estou mais tranquila e estável do que jamais fui em minha vida, cuido da saúde do meu corpo com prazer: faço exercícios regularmente, como bastante legumes/frutas e restringi a proteína animal ao peixe e alguns frutos do mar, independo de estímulos externos para me sentir bem e feliz. A melhor parte foi que encontrei minha ligação interna com Deus e minha própria voz… eu não sigo mais a cartilha de ninguém. No meu livro, só quem escreve sou eu.

A razão por eu estar escrevendo tudo isso é a seguinte: não é fácil “sair da Matrix” (acho essa expressão engraçada, mas com um fundo de verdade). Não é fácil olhar para si e descobrir que você não sabe quem você é de verdade, que tudo o que você vem fazendo até então não é, em realidade, aquilo que vai te fazer feliz – até porque, o que parece de cara é que você “jogou sua vida fora”. Isso passa! E fica tudo bem. Não há necessidade de surtar, de ter crises de pânico, de entrar em depressão, de se entupir de remédio… news flash: isso é normal. Ou deveria ser. O que você realmente precisa é não ter medo. Como diz uma frase de Joseph Campbell: “Na caverna em que você teme entrar, está o tesouro que você busca” (The cave you fear to enter holds the treasure you seek).

Por isso, não tenha medo de cortar relações que não são saudáveis, de deixar de fazer coisas que não condinzem com quem você é….NÃO TENHA MEDO DE MUDAR! Não tenha… e se alguém chegar e dizer que você não é mais o/a fulano(a) de antigamente… ÓTIMO! Que bom. Isso quer dizer que você não parou no tempo! Não se deixe influenciar pelos pensamentos negativos de quem não tem coragem de tomar a caneta para si. 

Cultive a coragem! Faça aquilo que você sempre quis, mas tem medo. Não tenha receio de se questionar “é isso o que eu quero? por que estou fazendo isso? qual é o propósito do que estou construíndo?” E se você perceber que não é o seu caminho. Ok! Mude a direção. Na vida, não existem fracassos, apenas lições.

Nunca perdemos quando estamos em busca de nós mesmos, quando silenciamos a loucura da vida externa, para ouvir o Deus que nos habita. A mágina acontece quando você entende que você tem direito a muito mais: uma vida feliz, uma consciência tranquila, e que, não existem respostas erradas, apenas pessoas diferentes. Quando despertamos para quem realmente somos, o que vamos descobrir é que, no fundo, somos todos invencíveisE é aí que a vida realmente começa.